Meu sobrinho, certa noite, fez o seguinte comentário: “Eu não entendo”. Nós estávamos na varanda de casa, olhando a rua vazia e o céu com suas estrelas, já passava da hora de uma criança de 8 anos está na cama. Então, aquela exclamação poderia ser apenas efeito do sono ou cansaço que talvez estivesse sentindo. No entanto, devido a minha interrogação um tanto abismada - “Não entende o quê?” – Ele respondeu, reflexível: “Do que a água foi feita”. Fiquei surpreendida, de repente descobri que eu não sabia do que a água era feita; Tudo bem, os químicos estão aí com seu H2O para nos explicar. Mas ainda assim a pergunta permanece. E por mais que se possa obter uma exposição brilhante sobre a origem das coisas através do big bang, do criacionismo, Alá e companhia, nada, NADA, é comprovado!!!
Estamos andando no escuro!!! E o engraçado é que não temos medo, ou ao menos não o enfatizamos. Caminhamos felizes pela floresta do desconhecido, alguns com mapas, cordas, lanternas que brilham no escuro e um travesseirinho; outros, apenas com o feijão com o arroz e uma lata de conserva; outros ainda, com a cara e a coragem e uma mente aberta. Sabemos que existe um lobo, mas também sabemos que existe uma vovozinha com seus bolinhos de Fubá, e caminhando vamos para Canaã.
É claro que para tudo há uma explicação, não é à toa que existem psicólogos, matemáticos, teólogos, cientistas e minhamãedizia. Já perceberam quantos manuais encontramos ao longo da nossa caminhada ao mundo? Há tantas regras, tantas dietas infalíveis, há tantos 7 passos a serem dados que até perdemos a conta!. Mas se tudo isso for ignorado o que teremos? Um ponto preto? Só?
Não estou tendo uma crise existencial e muito menos um ataque de pessimismo epilético, estou apenas pensando, pensando. Igual ao dia em que meu citado sobrinho, com seus 5 anos, perguntou-me: “Tia, o A começa com qual letra?”, e respondi, com um riso no canto dos lábios: “Com a letra A”, recebendo de volta uma cara de incompreensão. Nesse instante aprendi que nem todas as respostas, por mais justificáveis que sejam, NÃO são suficientes.
Victor, amado meu, agora todos te conhecem =]