terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tudo aquilo que não é importante passa despercebido. Mas hoje o sol estava demasiadamente claro e seu olhar estava no chão. Joan andava em passos rápidos e via sob seus pés a calçada ficar para trás. Sua mente não estava consigo até o momento em que o inesperado lhe acomete um instante, trazendo para si a si mesma. A formiga passa. Era uma formiga grande, carregava sobre seus ombros um pedaço minúsculo de folha verde, que era o dobro do seu tamanho, mas ela seguia firme, a formiga. E Joan também. Outras formigas vieram, passavam, inquietas, como quem está atarefada com um grande evento. Joan já não pisava o chão sem olhar duas vezes. Não que se importasse com as formigas, às vezes até sentia certa repugnância, mas naquele momento aquelas formigas lhe diziam alguma coisa. Ela sabia, teria que tomar cuidado, não poderia pisoteá-las. Perderia algo. Perderia a si mesma? E então percebeu que não estava sozinha. E na sua caminhada as formigas a acompanhava. Joan dando um passo de cada vez, respirando, olhando, vivendo, já não se apressava, não se angustiava, não precisava correr. Viu, no instante lhe oferecido, que tudo seria diferente. Voltou para si como quem volta para casa. Até que não houve mais formigas.