segunda-feira, 19 de julho de 2010

Silêncio!

Não há silêncio em mim. Um instante só que seja, não há. Se fecho os olhos, se olho a rua, se vejo o nada, há sempre algo burbulhando, fervendo, pronto para receber atenção. Mesmo a solidão não está sozinha. Ser só nunca é desacompanhado. Nós e nossos demônios, eu e me, eu e você, você e o outro, o outro consigo. Uma guerra civil, um lar com buracos negros, uma palavra indefinida. Contínuo. Reticência. Rascunho. E o som, o barulho, o murmurinho saltitando, a imagem pronta, enquadrada, o desejo pronto, imaculado, sendo refeito continuamente pela mente inacabada, pela busca insaciável de se perder.

O silêncio é apenas um ponto seguido. O véu da noiva. Jamais a cortina de ferro. Jamais o dormir. Jamais o não respirar sem perder a vida. Jamais o ser sozinho e só. O silêncio é uma tentativa de fuga, mas como fugir se não há trancas, nem mesmo paredes? Com a imensidão de pensamentos latentes ao deredor...

Mergulho, sinto o zunido ao longe. Ele é o silêncio? Abro os olhos. Tudo está embaçado, tudo novamente indefinido. Volto ao porto. Como encontrar o silêncio em si mesma? Fecho os olhos. Meus pés estão adormecendo. Uma voz que é a minha fala, grita, se mexe. Ela é o silêncio? Apenas ecoa no ar minha voz.

Talvez eu fique mais um pouco. Talvez eu puxe cadeiras para os meus fantasmas. Talvez eu escreva. Talvez eu fique surda. Talvez apenas veja e não fale. Mas já não espero silêncio. Não espero ausências. Deixo minha cabeça queimar, deixo minha imaginação correr. Que não se canse.

Nunca.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Onde você vive?


Em um casco de ovo? Numa forma de bolo com futuros glacês trabalhados metodicamente? Numa caixa de fósforos? Numa caverna com sombras e uma fogueira? Numa casa engraçada sem teto sem nada?Mesmo não admitindo nem com figuinhas, vivemos de acordo com alguma coisa, enformados em conceitos e princípios e escolhas que dificilmente seremos considerados pessoas livres. E o conceito de liberdade seria apenas poder escolher como você quer o seu cachorro quente.
Será?
Às vezes duvido se realmente temos livre arbítrio, da mesma forma que tenho dúvida se tudo já está escrito e nossas vidas nada mais é do que um roteiro pronto. Como já dizia alguém: há muito mais mistérios entre o céu e a terra que supõe a mente humana. No entanto, é inegável o fato de que a forma como vivemos a nossa vida é marcado tanto pelas nossas escolhas quanto pela sua natureza. Primeiro, por que existe o sim, o não e o talvez. Isso se chama alternativas. E segundo, por que só há o sim, o não e o talvez. Isso se chama limites.
O que quero realmente dizer é o seguinte: onde vivemos é uma parte culpa nossa, somos nós que proporcionamos os nossos limites, porém, nossas escolhas são limitadas, e isso diminui nossa culpa. Confuso? Ambíguo? Uma mesa redonda? Seja como for, se sua morada é um ovo, e você é um pintinho em constante e infinito desenvolvimento; ou sua casinha é uma forma de bolo e você o bolinho, esperando que alguém o enfeite; ou seu lar é a caixa de fósforos e você o palito que vai acender a qualquer momento; ou moras numa caverna, achando que as sombras são a vida real; ou então, tua casa é aquela engraçadinha, sem porta ou janelas, e você, você é o alicerce; seja qual for, você tem parte nisso.
Por isso, dá uma pensadinha antes de desejar morar numa outra casa, já que a casa onde tu moras foi você que escolheu.

domingo, 11 de julho de 2010

VINTE E SEIS ANOS

Como eu me sinto cansada. É como se eu tivesse andado por um ano inteiro! (!) Eu andei por um ano inteiro! Ou quase, pois ainda faltam algumas horas para meus vinte e seis anos. Se eu me sinto mais velha? Sim. Se eu sinto o peso dos anos se passando? Sim. Se já realizei meus sonhos? Nem a metade. Mas estou caminhando... eu acho.

E sim, sou melhor hoje. Vejo de forma mais larga, longa e alta. Mas não vejo tudo. Talvez nunca veja. Sei que não se aprende tudo de uma vez. E algumas vezes precisamos pisar na lama, se molhar, se queimar, para sabermos que sempre haverá resquícios de sujo, que sentiremos frio e sentiremos dor. Aprendi que confiar não é sinônimo de segurança, pelo contrário, é instabilidade, é correr riscos. E ser sincero não é dizer toda a verdade. Mas nunca minta! Mentir magoa.

Com vinte e seis anos já se sabe que as coisas nunca são como pensamos que sejam. E que tudo muda e nós também precisamos mudar com o tempo, se não, perdemo-nos e passamos a achar que todos estão contra nós, num complô, e frases do tipo “antigamente era melhor” ou “no meu tempo...” passam a fazer parte do nosso vocabulário. E com essa idade a opinião do outro é apenas a opinião do outro, sem nenhuma implicação ou interferência no que pensamos ou fazemos. No entanto, com esses anos nas costas, precisamos ser responsáveis por tudo que fazemos e pensamos. E como há cobranças, como há julgamentos e necessidade de que tenhamos todas as respostas.

Às vezes penso na vida passando pela gente e não nós passando pela vida. Às vezes vejo tudo parado, e só os homens correndo de um lugar para o outro. Às vezes penso num círculo com todo mundo dentro, girando. Mas é só às vezes. Noutras, prefiro não pensar.
Ter vinte e seis e como ter vinte e cinco, vinte e quatro, dezoito, treze. A diferença está nas coisas que se viu e se presenciou. E isso faz toda a diferença. Daqui a um ano ainda serei eu, com outros olhos.

Daqui a um ano, quero ser eu.