segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

AUSENTE

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

RECEBA-ME

 
O caminho que percorri até você foi longo demais.
Não me peça para voltar,
Apenas me ame e eu te darei todo o meu amor.
Quando na estrada, que caminhava sob meus pés,
Eu estivera só, a lua e o sol se retiravam como dois amantes cujo amor é proibido
E as estrelas iam a lhes fazer vela.
Quando não tinha guia,
E ouvia apenas o bater avançado de tarquicárdia pelo desejo de chegar até você,
Eu apenas seguia, na certeza de um evagélico de que estarias do outro lado, a esperar-me.
Tua força sem vontade própria alimentava-me num ritual desconhecido,
E eu, broto, recebia luz e água na terra que me plantaste.
Eu não cresci como quiseste, eu não segui o teu plano, sou refén da natureza, mas ainda sou sua planta.
Sou a árvore que agora te dá sombra e frutos,
Para que morrer de sede e fome? Para que resistir ao calor e ao frio?
Eu sou o seu desejo.
O caminho que me levou até você, não existe mais, desfez-se.
Não me peça para voltar, não poderei.
Apenas me ame,
E eu te amarei de volta,
Com todo meu amor.

ENQUANTO ACORDO

O meu nascer está em cada dia que acordo,



E grito o choro de quem sente o mundo pela primeira vez,


Numa antecipação de lágrimas que ainda virão.


Com o corpo molhado do meu próprio sangue, respiro um ar que rasga meu pulmão virgem.


O medo e a dor me fazem companhia, tudo por que agora vejo.


Antes ligada por um cordão, numa noite tranquila sem fim, agora conheço o dia,


No meu desenquilíbrio de quem perde uma perna.


Quem me dará o leite de cada dia?


Quem me dará calor?


Quem ouvirá meus gemidos de sede?


Há uma mão que balança o berço, que apalpa minha pele e atende meus pedidos,


Essa mão, até quando a terei, até quando estará comigo nas minhas angúnstias de sobrevivente?


Me deixo, me acomodo como quem recebe um presente sem a intenção de abri-lo.


Me mordo, me chupo, na minha natureza humana de quem quer realizar os seus desejos.


Sou o pedaço de alguém que me amará da forma que não poderei amar de volta.


Sou uma chance, talvez a última ou a primeira,


Talvez um escape, talvez uma falha, um desleixo, talvez uma escolha.


Sou mais uma no mundo dos solitários.

sábado, 5 de novembro de 2011

Pensamentos

Enquanto você está em algum lugar, com seus amigos e estranhos. Enquanto nem eu nem você estamos a nos esperar, penso no que ficou. Mas é difícil dizer te amo sem poder vê-la. Sem tê-la nos meus braços para trazê-la para perto de mim enquanto me declaro. Essa nossa distancia que escolhemos, ela não foi uma boa idéia. Tenho que te dizer, ela me dói. Eu sei que a dor não mata, mas com certeza enfraquece. Quem disse que aquilo que não nos mata nos fortalece, não estava complemante são, não estava completamente curado. Aquilo que não nos mata, é o que nos faz viver.

Jovem, só, e viva


Estou vivendo em um quarto de dois metros quadrados. Vivo aqui e não sinto falta de muita coisa. Me iludo. Todos os dia. Vejo imagens de histórias criadas que poderiam ser minhas. Sofro. Choro. Sorrio. E não saio dali. No momento, é meu porto seguro, por que no instante em que me aventuro me afastar alguns metros, é o instante onde me perco e para encontrar-me novamente, em segurança, haja dor, haja solidão. Não estou tentando passar o resto da minha vida em um quarto, apenas devo viver aqui e agora. Haverá outros momentos, num futuro próximo talvez, em que caminharei, sorridente, pelo campo das obrigações do dia-a-dia. Mas esse dia não é hoje. Definitivamente. E como tenho toda a compreensão do mundo para viver no meu quarto de dois metros quadrados, eu me mantenho fiel ao meu status. Jovem, só e viva.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ELA

A minha amada mora longe,
Num lugar muito, muito distante.
Dentro dela tem um bosque
Onde me espera quando eu chegar.
Sua lonjura não me nega de amá-la,
Mas é necessário que eu a sinta,
Que na noite de sua dormida, ela venha deitar-se ao meu lado.
Que na noite da minha dormida, eu a sinta nos meus braços.
A minha amada é infinita e várias, está em todos os cantos nos quais estou,
Está na minha manhã e na tarde, está no meu alimento e na minha bebida.
No agora e no daqui a pouco, ela não sai de mim.
Dentro dela tem um bosque,
Com todas as janelas abertas,
Sua porta cabe apenas a mim,
E ela só a mim receberá.
Minha amada é eterna,
E eu eterna estou,
E na escuridão sem fim do esperar-nos,
Vivo só.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

INÍCIO


Suspensa. Como uma teia em tempo de chuva, eu equilibrava-me. Como vim parar aqui? Como o azul, em uma palavra, tornou-se negro? Mau negócio com a vida. Na verdade, somos péssimos administradores e nem adianta pedir empréstimos, pois deus é um agiota de carteirinha. Lembro-me ainda de um sorriso, de sua pele macia, lembro-me apenas e logo o mais me causa náusea. Não consigo não pensar sem sentir dor, sem sentir que perdi, e perdi feio. Copos. Garrafas. Hálito. Não sei mais como terminar os meus dias. O sono abandonou-me, o orgulho abandonou-me, o amor próprio evaporou-se. Estou só e estou esmagada. Como levantar-se depois de tudo? Como seguir em frente? Há quem diga que o amor é um contínuo recomeço. Mas quem disse isso?  Nomes...letras...rostos...quem? Nada. Só consigo enxergar algumas marcas ainda latejando em mim? No meu corpo? Já não sei. Nem sei se sou eu a falar ou alguém a falar por mim! Pobre alma desgarrada, acostuma-te à lama que te espera...toma um fósforo...acende teu cigarro!  Quem disse isso?...?...A noite está alta, a lua dormiu antes da hora e nem há estrelas para se contar. O tempo passa devagar, mas as horas correm. Vou guardar as lembranças para depois, vou economizar lágrimas, vou espalhar sorriso falso e dizer que tudo vai bem. Vou fazer isso e aquilo até que....até que.... Augusto dos Anjos! Foi ele nos seus versos íntimos...como continua mesmo... o beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que te afaga é a mesma que apedreja...Se alguém causa inda pena na tua chaga, apedreja esta mão vil que te afaga, escarra nessa boca que te beija! ... Isso.

sábado, 9 de julho de 2011

Depois que a chuva passa



O meu momento é hoje. Não posso esperar até amanhã para dizer coisas que precisam ser ditas neste instante. Pois as horas são como a velhice chegando, as horas é sempre o passado ao derredor da gente. Hoje quero meus amigos por perto, quero gente minha, que há tempos cuido e sou cuidada. Dispenso o orgulho e medo do não, dispenso a negação do sentir, dispenso o tempo passado sem momentos e as muitas horas sem dizer uma só palavra.  Viver é o que basta. E eu estou aqui.

domingo, 5 de junho de 2011

Acreditar não significa que vemos, não significa que acontecerá e muito menos que estamos certos. Às vezes, crer em algo só quer dizer que você gostaria de ter aquilo para si. Que você precisa daquilo para continuar. Não é errado. Não é mentira, nem compaixão por si mesmo. É só mais uma forma de viver. Eu só queria dizer que eu acredito em nós. Olhando para você eu me vejo, eu sinto uma dor no estômago que não incomoda, causando uma alegria estranha, uma sensação de quem respira e prende e respira novamente, com mais força, fazendo com que o coração acelere.
Eu já disse o quanto me sinto bem com sua existência?...Devo ter dito. Tudo que tem haver com você eu não guardo só para mim, não consigo. Você me faz gritar para todo mundo, me faz ser uma mãe de primeira viagem, uma criança que ganha um brinquedo novo, alguém que encontrou tudo aquilo de que precisa. Eu já lhe disse o quanto te amo?...Devo ter dito. Não poderia esconder isso nem se tentasse. O meu amor por você está em tudo que faço. Seu sorriso intacto, seu olhar perdido e esperançoso, sua fala, seu toque, seu beijo... me faz ganhar o mesmo presente, e eu, os recebo sempre como se os tivesse recebendo pela primeira vez. Você faz isso. Você não sabe como. Eu também não sei. Já disse o quanto nada mais importa? Não importa, se eu puder ter você para mim.
Eu só queria dizer...