Confesso. Andei ausente de mim. E isto é muito mais do que um reconhecimento de algo que acontece, às vezes, comigo e penso eu, com todos. É um andar em círculos, deixa-nos tontos. O pior é que nesses instantes de isolamento de si, se perde sempre alguma coisa. E penso que, mais uma vez, eu tenha deixado escapar momentos insubstituíveis. Ainda lembro que deixei uma carta em branco, lembro de telefonemas adiados, encontros remarcados, um te ligo por educação. Lembro também que deixei projetos inacabados, planos esquecidos e alguns livros empoeirados. Isso é ruim. Isso é mal. Refletindo nessas ocas atitudes, me vejo pedindo mudanças, ou melhor, implorando. É necessário quando as coisas vão de mal a pior. Trocar os jogadores, armar um novo ataque, plano B e afins. Não sei se esse é meu caso, nem no que exatamente isso implicaria. Sei que tirei uma pulseira do braço, há muito tempo posta e me senti dando um passo à frente. A moeda caiu, como diziam e agora digo. Ficar presa em hábitos às vezes cega. Não há claridade suficiente para surpresas, tudo fica fosco. E eu me recuso a não enchergar. Quero meus amigos do peito, quero lembranças coloridas, quero fazer e receber ligações depois da meia noite e ficar até às cinco da manhã, quero riso e pizza, quero violão e vozes desafinadas, quero escrever e receber cartas, quero terminar Os anos, e assim finalizar este ano sem um "deixa para depois”, quero o AGORA e o SIM. E é tão bom saber que tudo depende de mim. Que tudo só esteve parado por que eu parei. Pois assim, eu não precisarei encontrar culpados. Precisarei apenas CONTINUAR. Que haja LUZ.
Zona de Conforto
Há 9 anos

