quarta-feira, 16 de novembro de 2011

RECEBA-ME

 
O caminho que percorri até você foi longo demais.
Não me peça para voltar,
Apenas me ame e eu te darei todo o meu amor.
Quando na estrada, que caminhava sob meus pés,
Eu estivera só, a lua e o sol se retiravam como dois amantes cujo amor é proibido
E as estrelas iam a lhes fazer vela.
Quando não tinha guia,
E ouvia apenas o bater avançado de tarquicárdia pelo desejo de chegar até você,
Eu apenas seguia, na certeza de um evagélico de que estarias do outro lado, a esperar-me.
Tua força sem vontade própria alimentava-me num ritual desconhecido,
E eu, broto, recebia luz e água na terra que me plantaste.
Eu não cresci como quiseste, eu não segui o teu plano, sou refén da natureza, mas ainda sou sua planta.
Sou a árvore que agora te dá sombra e frutos,
Para que morrer de sede e fome? Para que resistir ao calor e ao frio?
Eu sou o seu desejo.
O caminho que me levou até você, não existe mais, desfez-se.
Não me peça para voltar, não poderei.
Apenas me ame,
E eu te amarei de volta,
Com todo meu amor.

ENQUANTO ACORDO

O meu nascer está em cada dia que acordo,



E grito o choro de quem sente o mundo pela primeira vez,


Numa antecipação de lágrimas que ainda virão.


Com o corpo molhado do meu próprio sangue, respiro um ar que rasga meu pulmão virgem.


O medo e a dor me fazem companhia, tudo por que agora vejo.


Antes ligada por um cordão, numa noite tranquila sem fim, agora conheço o dia,


No meu desenquilíbrio de quem perde uma perna.


Quem me dará o leite de cada dia?


Quem me dará calor?


Quem ouvirá meus gemidos de sede?


Há uma mão que balança o berço, que apalpa minha pele e atende meus pedidos,


Essa mão, até quando a terei, até quando estará comigo nas minhas angúnstias de sobrevivente?


Me deixo, me acomodo como quem recebe um presente sem a intenção de abri-lo.


Me mordo, me chupo, na minha natureza humana de quem quer realizar os seus desejos.


Sou o pedaço de alguém que me amará da forma que não poderei amar de volta.


Sou uma chance, talvez a última ou a primeira,


Talvez um escape, talvez uma falha, um desleixo, talvez uma escolha.


Sou mais uma no mundo dos solitários.

sábado, 5 de novembro de 2011

Pensamentos

Enquanto você está em algum lugar, com seus amigos e estranhos. Enquanto nem eu nem você estamos a nos esperar, penso no que ficou. Mas é difícil dizer te amo sem poder vê-la. Sem tê-la nos meus braços para trazê-la para perto de mim enquanto me declaro. Essa nossa distancia que escolhemos, ela não foi uma boa idéia. Tenho que te dizer, ela me dói. Eu sei que a dor não mata, mas com certeza enfraquece. Quem disse que aquilo que não nos mata nos fortalece, não estava complemante são, não estava completamente curado. Aquilo que não nos mata, é o que nos faz viver.

Jovem, só, e viva


Estou vivendo em um quarto de dois metros quadrados. Vivo aqui e não sinto falta de muita coisa. Me iludo. Todos os dia. Vejo imagens de histórias criadas que poderiam ser minhas. Sofro. Choro. Sorrio. E não saio dali. No momento, é meu porto seguro, por que no instante em que me aventuro me afastar alguns metros, é o instante onde me perco e para encontrar-me novamente, em segurança, haja dor, haja solidão. Não estou tentando passar o resto da minha vida em um quarto, apenas devo viver aqui e agora. Haverá outros momentos, num futuro próximo talvez, em que caminharei, sorridente, pelo campo das obrigações do dia-a-dia. Mas esse dia não é hoje. Definitivamente. E como tenho toda a compreensão do mundo para viver no meu quarto de dois metros quadrados, eu me mantenho fiel ao meu status. Jovem, só e viva.