O meu nascer está em cada dia que acordo,
E grito o choro de quem sente o mundo pela primeira vez,
Numa antecipação de lágrimas que ainda virão.
Com o corpo molhado do meu próprio sangue, respiro um ar que rasga meu pulmão virgem.
O medo e a dor me fazem companhia, tudo por que agora vejo.
Antes ligada por um cordão, numa noite tranquila sem fim, agora conheço o dia,
No meu desenquilíbrio de quem perde uma perna.
Quem me dará o leite de cada dia?
Quem me dará calor?
Quem ouvirá meus gemidos de sede?
Há uma mão que balança o berço, que apalpa minha pele e atende meus pedidos,
Essa mão, até quando a terei, até quando estará comigo nas minhas angúnstias de sobrevivente?
Me deixo, me acomodo como quem recebe um presente sem a intenção de abri-lo.
Me mordo, me chupo, na minha natureza humana de quem quer realizar os seus desejos.
Sou o pedaço de alguém que me amará da forma que não poderei amar de volta.
Sou uma chance, talvez a última ou a primeira,
Talvez um escape, talvez uma falha, um desleixo, talvez uma escolha.
Sou mais uma no mundo dos solitários.
Zona de Conforto
Há 9 anos


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