Respondendo ao “Caralho, para de ser assim, vai, escreve bonita” de minha querida amiga Ray, falarei a respeito da saudade que se sente daquilo que nunca viu, nem tocou e muito menos presenciou. Tentarei expor com clareza meus pensamentos confusos, pois se tratando de sentimentos, nada é seguro e constante. Uma coisa é certa: não tenho explicações coerentes para as causas e também não tenho um antídoto antisaudadeplatônica. Essas coisas acontecem com a gente e a gente fica a ver navios, caravanas e até um rapazola surfando. O que se pode fazer...- continuar com os olhos abertos!! Alberto Caeiro nunca tinha guardado rebanhos, mas tinha a alma de pastor, conhecia o vento e o sol, as estações...coisas assim não se explicam, apenas se SENTEM. Sinto saudades dos anos 60, 70 e eu nasci em 80, vai entender. Da mesma forma acontece quando sentimos a ausência de alguém que está muito longe e que nunca presenciamos concretamente. Sentimos falta do cabelo, do cheiro, da cor, do riso nunca escutado, da pele nunca tocada, sentimos falta da pessoa presente que sempre esteve ausente do cotidiano de cada dia. A verdade é que nos afeiçoamos por algo que acreditamos ser real, mesmo que seja através do virtual. Construímos um alicerce seguro para a nossa criação, cultivamos, adubando e regando, a sementinha do real imaginado. Mrs. Dalloway disse: “como a gente se fabrica a si mesmo; a vida; como se inventa uma deliciosa diversão, e qualquer coisa mais”, ela disse e acertou. Sim. Inventamos, criamos, somos os arquitetos de nosso jeito de viver e como nos frustramos, afinal de contas, não somos graduados, estamos no jardim da infância da vida. É só lástima quando descobrimos que erramos, que confiamos demais, assim como é só fogos e foguetes de alegria quando acertamos. É certo: A saudade que se sente por algo que já se obteve é a mesma que sentimos por algo que nunca tivemos, e esta, talvez bem mais forte, nos rasga a alma, por que está muito, muito longe do nosso toque. O jeito é fazermos como Caeiro – deitar na erva, fechar os olhos e sentir todo o corpo deitado na realidade, saber a verdade e ser feliz.
Zona de Conforto
Há 9 anos




