Quem já sentiu saudades? Dói como arranhão na pele. Arde. Pulsa. Irrita. E além da vontade de arrancar o braço, a perna, o dedão do pé, ou onde esteja o maldito ferimento, ainda fica aquela marca, lista, sinal, uma prova de que você foi testado pela dor. Ah saudade, tantos já falaram da cuja, homens, mulheres, crianças e até cachorros já sentiram. Todos sabem a angústia que ela nos aflige. Uma vontade louca de sair correndo atrás da causa, do objeto do desejo, de voltar no tempo, no caso de alguns. Vontade de abanar o rabo como fazem os dogs frente ao seu deus. Vontade de tocar, ouvir, cheirar aquela coisa que se quer perto, a qual se quer agora! Isso sem contar com as probabilidades de se ter uma parada cardíaca, as quais aumentam consideravelmente, já que o coração, de tão pressionado no peito, é bem capaz de parar. É uma dor que só tem um remédio, apenas um antídoto, um calmante – o ser desejado! Quem já sentiu saudade, aquela que se coloca a mão no peito e entranha o rosto, sabe do que estou a falar. Essa saudade, meu estimado leitor, estou a sentir, aterrorizantemente, nesta noite de quarta feira de um verão escaldante. Na minha cabeça se passam estratagemas que até minha mãe duvida. Será sempre assim com todos? Foi assim com Moisés? (sim, aquele que abriu o mar vermelho. Soube que sentiu saudade do que ainda nem tinha vivido!) Como Vinícius (sim, o Moraes) soube sair desse mar de desejo desejando mais e mais? Sei não. Enquanto não passa, vago entre as portas, livros e lençóis, esperando a dita cuja aliviar.
Zona de Conforto
Há 9 anos

Que lindo Simone, escreves tão bem, tão limpa, tão bonita, saudade, sei como é, e como explicar a saudade do cheiro que nunca sentiu, nem da pele que nunca tocou?
ResponderExcluirEscreva e me explique minha querida amiga, amo-te!