domingo, 11 de julho de 2010

VINTE E SEIS ANOS

Como eu me sinto cansada. É como se eu tivesse andado por um ano inteiro! (!) Eu andei por um ano inteiro! Ou quase, pois ainda faltam algumas horas para meus vinte e seis anos. Se eu me sinto mais velha? Sim. Se eu sinto o peso dos anos se passando? Sim. Se já realizei meus sonhos? Nem a metade. Mas estou caminhando... eu acho.

E sim, sou melhor hoje. Vejo de forma mais larga, longa e alta. Mas não vejo tudo. Talvez nunca veja. Sei que não se aprende tudo de uma vez. E algumas vezes precisamos pisar na lama, se molhar, se queimar, para sabermos que sempre haverá resquícios de sujo, que sentiremos frio e sentiremos dor. Aprendi que confiar não é sinônimo de segurança, pelo contrário, é instabilidade, é correr riscos. E ser sincero não é dizer toda a verdade. Mas nunca minta! Mentir magoa.

Com vinte e seis anos já se sabe que as coisas nunca são como pensamos que sejam. E que tudo muda e nós também precisamos mudar com o tempo, se não, perdemo-nos e passamos a achar que todos estão contra nós, num complô, e frases do tipo “antigamente era melhor” ou “no meu tempo...” passam a fazer parte do nosso vocabulário. E com essa idade a opinião do outro é apenas a opinião do outro, sem nenhuma implicação ou interferência no que pensamos ou fazemos. No entanto, com esses anos nas costas, precisamos ser responsáveis por tudo que fazemos e pensamos. E como há cobranças, como há julgamentos e necessidade de que tenhamos todas as respostas.

Às vezes penso na vida passando pela gente e não nós passando pela vida. Às vezes vejo tudo parado, e só os homens correndo de um lugar para o outro. Às vezes penso num círculo com todo mundo dentro, girando. Mas é só às vezes. Noutras, prefiro não pensar.
Ter vinte e seis e como ter vinte e cinco, vinte e quatro, dezoito, treze. A diferença está nas coisas que se viu e se presenciou. E isso faz toda a diferença. Daqui a um ano ainda serei eu, com outros olhos.

Daqui a um ano, quero ser eu.

2 comentários:

  1. Eu queria ser você, Sally. Cansei de ser Clarissa.

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  2. Às vezes ser Sally também cansa. Só um jardim para compensar.

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