Eu sou o que eu preciso ser. Em cada hora do dia, em cada gesto, cada palavra pronunciada por mim, sou eu constituindo-me. Sou um poço e uma estrada, sou uma multidão de eus, individualmente. Sou temperança e ira. Pura água, uma metamorfose, onde uma hora sou barata, outra hora humana.
É muito fácil descrever-me, o difícil é ser eu sem errar-me. O difícil é aceitar que o inevitável existe e eu não posso não-existir. Cada dia para mim é como mil anos, cada dia é como uma hora vazia. E como eu vivo! Tenho uma gana de viver, e vivo.
Encaro cada dia como único e como se houvesse continuação. Não me ponho em riscos premeditados. E não me perdôo fácil, mesmo sabendo que nem sempre se sabe para onde se está caminhando. Mas reconheço sempre as minhas falhas e me obrigo a melhorar.
Sou fiel aos meus princípios. Quase sempre. Amo quem me ama e me aceita como sou. Amo almas incabadas. Não sou altruísta, mas daria minha vida por quem carrega meu afeto. Daria meu coração batendo, meus rins, minhas veias pulsando. Daria meu tempo. Mas não me peça minha liberdade. Eu luto com dentes e sangue. Eu não arrego. Sou uma asa em fúria.
Sou pelúcia, sou colo, sou rio, sou azul, sou uma montanha com estepes, sou alma gêmea. Da mesma forma que eu sou espinho, sou agulha, sou areia no sapato, um colírio ardente.
Eu sou isso e sou aquilo.
Eu SOU.
Zona de Conforto
Há 9 anos

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